segunda-feira, 21 de abril de 2014

Fantasmas no espelho

Eu realmente não conseguia entender a razão de os meus livros estarem se esvaindo a cada página virada, tornando-se cinzas que serpenteavam pelo vazio do meu quarto até o teto, onde se perdiam por entre as frestas do telhado. Na minha boca, uma substância arenosa dançava pela arcada dentária enquanto eu cuspia sangue, mas o líquido que escorria era negro, como a cor dos meus cabelos, que agora davam lugar a mechas que iam de um prateado bonito a um branco pálido, da cor das páginas dos meus livros, agora sem palavras encravadas. E junto com as palavras ia minha voz. Eu que nunca precisei de mais nada quanto o fiz de meus olhos, que se implodiam em trevas deliciosamente inquietantes. O espelho já não revidava: já não via o viço sorridente de um homem, mas, pensando bem, havia um rodopiar incansável de cinzas que buscavam o céu.

Feriadão

Resolvi voltar com o blog, já que tive mais tempo no feriadão da Páscoa. Feriadão é a cara do Brasil, que já nos presenteou com vários só este ano. Daí eu me pergunto: porque tanto feriado? Ninguém comemora os feriados da forma que tem que ser mesmo! A cultura/tradição sempre perde espaço para a bebedeira e os lepo-lepo's da vida! No entanto, nem eu fico de fora: não que eu tenha bebido ou dançado "tosquices" no feriadão; mas esse hiato temporal só me rendeu comida, estudo e algumas saídas com amigos. Quer dizer: o sentido real da Páscoa e até do dia de Tiradentes passou batido para mim. Às vezes até penso que bom mesmo é que não houvesse feriado, mas daí eu lembro que, com feriado ou sem feriado, sempre há o que fazer e, então, eu me arrependo e penso (sobre esse aspecto em particular!): que bom ser brasileiro!